Diário de Xyntillan — Décima sessão
Sou Wathgar e este é meu primeiro dia com a Companhia do Butim. Partimos de Tours-En-Savoy sob um céu indeciso, uma companhia formada por Mosuc, o elfo silencioso; Tadhg, o clérigo devoto; o mago Azimandor; e eu, Wathgar. Nosso destino era a fortaleza da companhia, a estalagem “A Donzela do Butim”. A encontramos segura, já guarnecida com alguns dos móveis encomendados, um sinal de ordem e progresso. Mas não havia tempo para descanso. A missão nos chamava, e seguimos para o Castelo Xyntillan sob uma chuva que caía como cântaros, tornando o caminho um desafio de lama e perseverança.
No trajeto, um grupo de quinze pôneis selvagens surgiu em meio ao temporal. O ranger Ilfir, que se juntou a nós no caminho, tentou uma aproximação para cativá-los, mas os animais, assustados pela tempestade, não cederam.
O abrigo e a dama decapitada
A chuva forte atrasou nossa chegada a Xyntillan. Alcançamos os muros do castelo já na alta madrugada, exaustos e encharcados. Tomamos a decisão tática de nos abrigarmos nos estábulos do pátio principal, um local que os companheiros já haviam limpado de ameaças. Era um refúgio precário, mas seguro. Durante a noite, enquanto a tempestade rugia lá fora, uma aparição nos observava das sombras. Era um fantasma de uma dama, que segurava a própria cabeça decapitada sob o braço.
Tadhg, com uma coragem que só a fé concede, foi cumprimentá-la. Ela se apresentou como Claudete Malevól. A dama sem cabeça nos trouxe informações valiosas: alertou que o Jardim das Rosas pertencia a uma “Besta”, seu primo. E, mais importante, nos confiou uma missão. Seu anel fora perdido no salão de baile, localizado no oubliette, e estava preso a algo que atraía metais. O acesso, segundo ela, seria pela cisterna no pátio interno do castelo — uma rota que nos permitiria evitar as seteiras que tanto atormentaram o grupo no passado. Em troca do anel, Claudete fez uma promessa grandiosa e perigosa: “realizará o seu desejo”, fosse ele qual for.
A sanha de Mosuc e o enxame elétrico
Ao raiar do dia, após um breve descanso, nos dirigimos ao salão principal. Nosso primeiro objetivo era logístico: retirar a estátua que havíamos encontrado e levá-la para a carroça. Ao movê-la, percebemos que uma garrafa estava alojada em sua boca. Eu a recolhi. Era um líquido branco e leitoso que Azimandor mais tarde identificou como uma Poção do Heroísmo — um bom presságio.
A partir do salão, iniciamos a varredura dos cômodos adjacentes. Mosuc, em uma sanha de exploração, abria as portas sem muito cuidado, um risco que um dia nos custará caro. Encontramos o quarto de James, o mordomo fantasma, que reclamou de nossa invasão, e outros quartos da criadagem. Em um hall, sobre sofás e pufes, jazia o corpo de uma donzela mirando um espelho, como uma morte por vaidade.. Em sua fronte, uma tiara cravejada com opalas, que Azimandor recolheu.
Em um quarto de amas, encontramos uma adaga de prata em um baú. Foi então que brilhos coloridos pulsaram do salão de entrada. Tadhg sentiu o perigo iminente. Imediatamente, organizei uma linha de parede de escudos com nossos homens e avançamos. Encontramos um enxame de pequenas criaturas mágicas, que faíscavam com energia elétrica. O combate foi curto, mas letal. Um arco voltaico disparado por uma das criaturas derrubou um de nossos melhores homens, Dimitri. Após um golpe certeiro de Tadhg com sua funda, avancei e terminei o serviço com minha espada bastarda, golpeando com as duas mãos e partindo a última criatura ao meio.
A cozinha grotesca e a partida de um Lorde
Continuando a busca, encontramos um estábulo maior que o primeiro, com um portão de ferro enferrujado ao norte, que provavelmente levava ao pátio interno e à cisterna mencionada por Claudete. Decidimos seguir adiante por ora. Encontramos a cozinha. A cena era grotesca: cozinheiros mortos-vivos esquartejavam e cozinhavam restos humanos em caldeirões. O fedor e a profanação eram insuportáveis. O poder divino de Tadhg expulsou os mortos-vivos menores, mas o mais forte, o Chef, resistiu. Mosuc, com sua eficiência impiedosa, ceifou a existência do ghoul. Com a área limpa, pilhamos a prataria da cozinha.
Dado o avançar da hora, decidimos retroceder. A retirada para a Donzela do Butim foi segura e sem mais reveses. Chegamos cansados, mas com a missão cumprida e a honra de um soldado caído para lamentar.
Ao chegarmos de volta à estalagem, um grupo de cavaleiros nos aguardava. Eles aguardavam Nicolas, um de nossos soldados de infantaria, que agora se portava com uma nobreza inesperada. Ele nos saudou como velhos amigos. “Caros companheiros”, disse ele, “devo agora deixar este disfarce. Minhas responsabilidades me aguardam.” Revelou-se que seu verdadeiro nome era Ravelar, um lorde elfo. Como prova de sua gratidão e respeito, ele presenteou cada um de nó, com uma bolsa contendo 200 moedas de ouro. Então, ele e seus cavaleiros partiram, cavalgando para longe. Um aliado valioso partiu, mas o fez com honra.






















