Criptas seladas, gigantes invisíveis e a canção dos ossos

Diário de Xyntillan — Décima segunda sessão

O dia começou sob um céu nublado, mas agradável, em Tours-en-Savoy. Nossa jornada neste dia iniciou com Brag, Tadgh, Azimandor, Lorran, Mosuc e eu, e nos levou à cripta do Templo de São Benário, um lugar de repouso final para os devotos. A ideia de abrir aquele portal antigo, selado pelo tempo e pela fé, nos intrigava. O sacerdote local, Pai Brennard, não ofereceu oposição. Sua permissão foi concedida com uma calma que contrastava com a curiosidade que nos movia.

Roos, o jovem clérigo que nos acompanha, acrescentou um detalhe inquietante. O sacerdote anterior, Pai Godwick, havia desaparecido subitamente, sem deixar rastros. Um mistério sombrio pairava sobre o templo, ligando-se talvez à própria cripta.

Mosuc, o elfo negro, tentou forçar a porta enferrujada, emperrada nas dobradiças, mas uma luz azul reluziu, uma barreira mágica invisível que nos impediu. Sem a presença de um mago capaz de desvendar tais encantamentos, decidimos deixar a cripta selada por ora. A Donzela do Butim nos aguardava.

Sombras na floresta e a migração dos monstros

O caminho de volta para a estalagem transcorreu sem intercorrências, mas não sem novos mistérios. Ilifir, nosso ranger, com seu olhar aguçado para os rastros ocultos da floresta, detectou pegadas frescas de um pequeno grupo de orcs. Um novo indício de problemas nas redondezas.

Refletimos sobre a crescente presença de criaturas hostis. Ilifir nos informou que, a noroeste, uma família de Gigantes tem forçado a migração de outras criaturas, como os Bugbears que havíamos enfrentado e, agora, talvez esses orcs. A floresta, antes apenas perigosa, parecia se tornar um caldeirão de tensões, com predadores maiores empurrando os menores para o nosso caminho.

Chegamos à Donzela, tudo em ordem. Sem tempo para longas pausas, seguimos para Xyntillan.

O chamado dos jaculus e a sala dos ossos

À medida que nos aproximávamos do castelo, o silêncio da floresta foi quebrado por sons estranhos. Ilfir, o ranger, alertou-nos sobre barulhos de aves que ele não identificava de imediato. Com seu instinto apurado, ele nos orientou a seguir por um caminho mais fechado, através do mato, para evitar a ameaça. Revelou que se tratavam de quatro Jaculus – serpentes aladas, peçonhentas, criaturas que ele não via na região há pelo menos trinta anos. A floresta, decidi, guardava mais segredos e perigos do que poderíamos imaginar.

Adentramos o castelo, com a sala do trono como nosso objetivo. O caminho nos levou por uma porta antes do corredor principal, e o que encontramos ali congelou o sangue de muitos. Trinta esqueletos, suas mandíbulas rangendo em uma paródia grotesca de canto, estavam reunidos em torno de uma mesa, sobre a qual jazia um corpo inerte. Ao lado, um autômato, de corpo robusto e olhos vazios, estava postado ao lado de uma mesa quadrada com quadrados brancos e pretos – um jogo macabro para uma audiência de mortos.

Lydia Malevól, a sem sorte, e a batalha dos ossos

O combate foi inevitável. Os esqueletos, animados por alguma magia negra, ergueram-se para nos confrontar. A melodia fúnebre de seus hinos militares se transformou em um canto de batalha. Nossas espadas e machados colidiram com o osso seco, fragmentando-os. Foi uma luta feroz contra um inimigo numeroso, mas sem a inteligência de um adversário vivo. No fim, a vitória foi nossa.

Enquanto vasculhávamos as entranhas de Xyntillan, nos deparamos com uma visão que desafiava a razão. Uma figura fantasmagórica se arrastava pelo chão de pedra, não com os pés, mas com a pura força de seu desespero. Em seu encalço, uma comitiva macabra a seguia: diversos outros fantasmas, todos decapitados. E era ela, a Dama Lydia, que carregava o fardo de suas cabeças, lamentando em um sussurro etéreo sua incapacidade de se livrar daquela procissão de horrores.

A cena era sinistra, uma visão de tormento eterno que nos deixou inquietos. Por um momento, a Companhia do Butim considerou intervir, buscar uma forma de libertar a incauta familiar Malevól daquela maldição. Contudo, neste lugar, a prudência muitas vezes supera a compaixão. Desistimos da ideia, e o fantasma, como se sentisse nossa indecisão, seguiu seu caminho, atravessando uma parede próxima e desaparecendo de nossa vista, levando consigo seu fardo decapitado.

O dia terminou com mais perguntas do que respostas. A cripta selada, os gigantes a noroeste, os jaculus voando e os esqueletos que cantam – Xyntillan era uma teia de mistérios, e nós, os incautos insetos que se aventuravam em sua trama.

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