Diário de Xyntillan — Sétima sessão
Em um amanhecer de nuvens dispersas e promessas de sol, a Companhia do Butim se recompôs para sua sétima incursão. Balto, Mugluk, Watford, Tadhg, Lorran e Mosuc receberam um novo camarada: Brag, um anão guerreiro de fibra robusta, embora um resfriado persistente o fizesse espirrar com alguma regularidade. Partimos de Tours-En-Savoy, o destino, como sempre, a sombria Xyntillan.
Após uma noite de descanso em nossa estalagem, a “Donzela do Butim”, seguimos viagem. O caminho pela floresta se revelou mais movimentado do que o esperado. Fomos sorrateiramente cercados por um grupo de pequenos humanoides de pele tigrada e feições felinas, que surgiram das sombras da folhagem. Sua intenção não era lutar, mas sim esvaziar nossos bolsos, embora sua exigência fosse curiosamente modesta: comida. Compartilhamos um punhado de rações, o suficiente para aplacar sua fome sem esvaziar a nossa, e a tensão se dissolveu, permitindo-nos prosseguir sem maiores incidentes.
O túmulo do galante e a maldição do martelo
Chegamos a Xyntillan e, desta vez, decidimos explorar o pátio interno, concentrando-nos na tumba que jazia no centro do lago. Balto, com sua coragem destemida, se aproximou do túmulo, enquanto Watford, posicionado com seu arco, mantinha um olhar atento à distância. Brag, por sua vez, foi atraído pela estátua de uma donzela esguia que parecia homenagear o sepulcro. Balto, sem cerimônia, abriu o túmulo e o caixão.
Dentro, encontramos um esqueleto de quatro braços, adornado com as roupas coloridas de um cortesão e um chapéu emplumado que o tempo não poupou. Com uma risada inquietante, a figura se ergueu, apresentando-se como Tristano Malevól, “O Coração Apaixonado”. Sua reputação de galanteador era evidente; suas primeiras palavras foram para inquirir sobre a presença de mulheres em nosso grupo. Sem Thal’Shaar conosco, seu interesse murchou visivelmente. Agradeceu por ter sido despertado e, com uma desenvoltura surpreendente para um morto-vivo, dirigiu-se à entrada principal do castelo. Antes de partir, concedeu a Balto um pequeno e precioso porta-rapé incrustado com gemas.
Em seguida, voltamos nossa atenção para o estábulo, o local da trágica queda do pequeno Lalwen. Com uma parede de escudos formada e o poder de Bellenus canalizado através de Tadhg, conseguimos expulsar os esqueletos que ali se amontoavam. Indefesos, eles foram rapidamente desfeitos pela fúria da Companhia. No entanto, o estábulo não continha nada de valor, exceto as latrinas vazias. Brag, em um momento de audácia, tentou se apossar do martelo encantado que martelava na ferraria, mas teve a mesma sorte de antes: foi prontamente nocauteado por um golpe incauto do artefato ao tentar agarrá-lo, sendo salvo apenas pela intervenção dos clérigos.
Mosuc, o elfo negro, aventurou-se no Jardim das Rosas, e para nossa surpresa, retornou com inúmeros espécimes, alegando que poderiam ser utilizados para “finalidades alquímicas diversas”. O tempo dirá que mistérios o elfo planeja desvendar.
O morto que não descansa e o encontro com a família canina
Atravessando o jardim, adentramos os corredores além. Logo encontramos um corpo inchado, o de Sebastian Malevól, morto, provavelmente, por afogamento. Watford, em sua abordagem direta, estendeu um cumprimento ao defunto. A resposta foi um espasmo violento: Sebastian se ergueu, putrefato e agressivo, tentando atacar. Watford reagiu com a presteza de um raio, trespassando o morto-vivo com sua espada e destruindo-o antes que pudesse sequer sussurrar uma pista.
Avançando pelos salões, o caminho começou a se transformar em um labirinto, uma teia traiçoeira de portas e corredores. Decidimos retroceder para uma área mais familiar, mais próxima da saída. Por outra porta, na sala onde Sebastian jazia, seguimos para o norte e oeste, descobrindo uma câmara sombria, repleta de corpos de antigos aventureiros. Algumas posses foram recuperadas, incluindo um pequeno pato mecânico, mais um brinquedo bizarro do que algo útil.
O caminho nos levou a um ponto familiar, de onde havíamos iniciado nossa exploração em incursões anteriores, o local dos tapetes e dos zumbis. Lorran então relembrou uma porta secreta que havia descoberto há muito tempo. Ao abri-la, a visão nos gelou o sangue: uma lobisomem, protegendo quatro filhotes, mas treinando-os para o combate. Watford, com sua persistência em tentar a via não violenta, tentou uma abordagem. A resposta da criatura foi um rosnado furioso e uma mordida profunda.
O combate se iniciou. Nossas armas pareciam sem efeito contra a pele espessa da criatura, um problema grave sem o brilho da prata. Brag, em um ato de bravura desesperada, tentou agarrar o monstro para subjugá-lo, mas a lobisomem estava irada, e a diplomacia se esgotara. Após mais alguns golpes infrutíferos, a criatura, vendo-se acuada, recuou para proteger seus filhotes. Nós, por nossa vez, também recuamos, compreendendo a futilidade de prosseguir o combate naquele momento e partindo imediatamente do castelo. Uma lição amarga foi aprendida: Watford, apesar de sua coragem, não seria mais nosso arauto em interações sociais.
A busca do cavaleiro e o pacto profano
Para garantir nossa segurança, optamos por uma rota já conhecida, evitando o traiçoeiro jardim de rosas ou qualquer caminho desconhecido. Seguimos pela passagem secreta do bar fantasmagórico e o depósito do jardineiro, descendo pela parede externa da muralha com as escadas de cordas de Lorran. Ele, sendo o último a descer para recuperar sua escada, foi abordado por um fantasma.
O espectro era um cavaleiro cruzado, altivo e etéreo. Ele se apresentou como Medárd Malevól, o Poderoso, e impôs a Lorran uma busca: recuperar sua espada, perdida na torre solitária no meio do lago que havíamos vislumbrado em nossa última incursão. Confiantes de que a recuperação da espada poderia render recompensas, prosseguimos de volta para Tours-En-Savoy.
Chegamos à estalagem, exaustos pela viagem. Após uma noite de descanso, partimos para a cidade. No caminho entre a estalagem e Tours-En-Savoy, o inesperado aconteceu: um diabrete surgiu de um portal rubro que se abriu no chão. Ele se denominou Bretonon e fez uma proposta bizarra. Ofereceu recompensas substanciais — riquezas e um favor — se, em vez de entregarmos a espada de Medárd ao cavaleiro, a destruíssemos. Seu objetivo era claro: impedir que Medárd a recuperasse. Aceitou até mesmo a destruição do próprio Medárd. Após esse encontro surreal, finalmente chegamos de volta a Tours-En-Savoy, com um dilema demoníaco para ponderar.






















