O crepúsculo do assentamento

Diário de Xyntillan — Oitava sessão

A estrada que leva de Tours-En-Savoy à nossa estalagem, a Donzela do Butim, havia se tornado um caminho familiar, um símbolo de retorno e segurança. Desta vez, a companhia era formada por Watford, Lorran, Mugluk, Mosuc e eu, Tadhg. A jornada transcorria sem incidentes, até avistarmos no horizonte o pequeno assentamento que começava a florescer ao longo do caminho, uma promessa de vida nova naquelas terras sombrias. Mas a promessa havia sido quebrada.

Colunas de fumaça negra subiam para o céu, e o som fraco de gritos e de madeira se partindo chegou até nós, trazido pelo vento. Apressamos o passo, e ao chegarmos a uma elevação, a cena terrível se revelou por completo. Uma horda de bugbears, criaturas brutais de músculos e pelos, talvez quatro dezenas deles, caía sobre o vilarejo em construção. Era um massacre. Cabanas eram incendiadas, e os poucos colonos eram caçados sem piedade.

Um olhar trocado entre nós foi o suficiente. Não houve debate. A Companhia do Butim não poderia virar as costas. Ajudar aqueles inocentes era a única opção, por mais impossíveis que as chances parecessem.

A batalha que se seguiu foi um redemoinho de fúria e desespero. O avanço foi difícil, quase impossível. Para cada passo que dávamos em direção aos colonos encurralados, uma muralha de corpos de bugbears se erguia para nos barrar. A luta foi sangrenta. As magias de Mugluk e os venenos aplicados por Mosuc derrubaram alguns dos monstros, suas formas pesadas caindo com baques surdos. As flechas de Watford e Lorran sibilavam pelo ar, encontrando seus alvos com precisão mortal, enquanto minha voz se esforçava para comandar nossos bravos soldados em meio ao caos.

Mas os monstros eram simplesmente muitos, e sua força, avassaladora. Para cada bugbear que tombava, dois outros pareciam tomar seu lugar, seus olhos brilhando com uma selvageria insaciável. Após o que pareceu uma eternidade de combate brutal, havíamos nos livrado de cerca de metade das criaturas que se voltaram diretamente contra nós, mas o custo foi imenso.

Completamente exauridos, com os braços pesados e a respiração ofegante, a dura verdade se impôs: continuar seria suicídio. A morte de todos nós não salvaria ninguém. Com o coração pesado pela derrota, ordenamos a retirada. Recuamos por um caminho alternativo, deixando para trás os sons da destruição e os gritos que se silenciavam.

O assentamento foi completamente saqueado e destruído. Muitas vidas inocentes foram perdidas. Chegamos à Donzela do Butim não como heróis retornando, mas como sobreviventes de uma tragédia que não conseguimos impedir. A noite caiu, e com ela, um silêncio pesado, carregado pelo peso de nossa falha.

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