
O massacre e o desastre
O plano era simples: entrar, pegar a Tryni e o Roos, e sair antes que o castelo resolvesse cuspir mais alguma bizarrice em cima da gente.
Em uma de suas viagens, o Bardo Finnian Pagemore encontrou um jovem monge em uma estrada que cruzava um bosque de frondosos pinheiros azuis.
Antes que pudesse se apresentar e cantarolar sobre todos os seus feitos estupendos, principalmente os da magnânima e inenarrável Companhia do Butim, Finnian viu que o clérigo era atacado por um grupo de criaturas sombrias.
Então, impávido, roubou a cena com seu arco, disparando flechas e mais flechas contra as criaturas, enquanto saltava, desengonçado e confiante, por detrás de arbustos. Parecia um panda vermelho rolando pela montanha. Em um instante entre fechar e abrir os olhos, as sombras foram dissipadas por uma intensa luz de feixes dourados e calorosos como quando o sol das mais belas manhãs beija o rosto dos justos. O bardo entendeu, então, que sua poderosa herança dracônica era responsável por afugentar aqueles espíritos malignos que tomavam a paz do clérigo de assalto.
Já o jovem monge, Tadhg Eberhard, que pronuncia-se “Taig”, exausto pelo esforço de servir de condutor da vontade do seu deus solar, Belenus, preferiu não contrariar a percepção do bardo, para não interromper o momento de êxtase que o envolvia, pois, pelo menos, havia bondade e valentia naquele homem alto, gordo e de espessa barba ruiva, que falava tão baixo quanto um trovão, ofendendo os inimigos durante a batalha com termos completamente desconhecidos para plebe, nobreza e clericato.
Foi assim que Finnian e Tadhg se conheceram. Finnian sabendo que salvou Tadhg e o monge sabendo que Finnian não sabia muito sobre o que de fato sabia.
Após as apresentações, ambos seguiram viajando juntos, enfrentando perigos que Finnian classificaria como “Dracônicos” e Tadhg descreveria como pequenos lagartos domésticos e Koboldes desorganizados.
No entanto, a conexão entre clérigo e bardo foi tornado-se mais forte e Tadhg até passou a cogitar a figura de Finnian como algo próximo de um líder, pois, a saber pelo seu primeiro contato, apesar de meio bobalhão, fanfarrão, pouco inteligente e com uma autoimagem bastante particular (para não ofendermos o bardo), Finnian apontava caminhos que por vezes criavam problemas e levavam seus companheiros ao encontro de outros mundos, é fato, mas eram despidos de maldade.
A personalidade peculiar e um pouco irritante do bardo, mas inquestionavelmente generosa e gentil, levou o clérigo a se questionar sobre uma antiga profecia da Ilha da Lua, que não saía da sua cabeça. Ela dizia:
A Profecia de Dagda
Quando os pilares do mundo tremerem e a canção da terra for esquecida, Quando a fome assolar os campos e o riso for silenciado pelos lamentos, Das brumas do tempo, um espírito antigo emergirá, Com o coração de um gigante e a sabedoria dos bosques ancestrais.
Será aquele que trará consigo o pote que nunca se esvazia, A harpa que acalma as tempestades e a clava que derruba exércitos. Não de nascimento real, nem de glória forjada em batalha, Mas da simplicidade da terra e do amor puro pelos seus.
Os corvos da desgraça tentarão ofuscar sua luz, E as sombras antigas buscarão consumi-lo. Mas a bondade será seu escudo, e a verdade, sua espada. Pois nele reside a alma do Bom Deus, Dagda, Retornado para reunir o que foi disperso e curar o que foi quebrado.
Com esses versos martelando como se fossem seus mais pesados passos, Tadhg concordou em servir, em nome de Finnian, na Companhia do Butim, após ouvir os nobres motivos que afastavam o bardo dos seus companheiros naquele momento.
E foi assim que Tadhg Eberhard, o fiél, passou a acompanhar a Companhia do Butim e, secretamente, registrar as verdadeiras histórias de Finnian Pagemore, sem seus exageros e visões peculiares.
Há muito para contar sobre este monge copista do que o pouco espaço destas folhas amassadas permitirá. Portanto vale registrar que o monge, costumado a se misturar com clérigos de outras crenças em prol do bem maior, passou, cada vez mais, a se portar como um cidadão do mundo, exógeno à Ilha da Lua. Recebeu treinamento, absorveu os livros sagrados de outras fés como uma esponja e até criou um equipamento marcial distinto que carrega consigo: a Maça Ungidora. Mas nunca, em nenhum momento, Tadhg abdicou de sua fé e da sua busca pelos portais espirituais para Tir-na-Nog.

O plano era simples: entrar, pegar a Tryni e o Roos, e sair antes que o castelo resolvesse cuspir mais alguma bizarrice em cima da gente.

A tropa adentrou fundo demais em Xyntillan e despertou um mal que raptou Tryni e Roos. Ficamos sem cérebro…

Mosuc enlouqueceu, Tryni desviou caminhos e Brag fez um amigo. O butim foi bom!

Celebramos um curioso casamento entre um esqueleto e uma noiva abandonada. Ambos se encontraram com o humor alienígena que apenas Xyntillan proveria.

Foi uma exploração cheia de descobertas e alguns poucos tesouros, mas o corvo empalhado decidiu nos ajudar

Com metade da Companhia doente, nos restou uma rápida incursão que não rendeu uma mísera moeda, mas muitas informações

Nossa primeira incursão por universos alternativos terminou em chacina, mas enfrentar o Elminster só podia dar nisso…

Curamos Azimandor, espatifamos uma Palantír e discutimos com uma estátua de um corcunda falante, mas chegamos ao salão do trono…

Brag atacou um caramujo, Tadhg recuperou sua maça e Azimandor enlouqueceu na última incursão por Xyntillan.

Entre aranhas e fantasmas, Lorran, o intacto, tomou o mais duro golpe que a Companhia jamais viu. Algo atingiu seu espírito e parte da sua virtude.

Foi Tadhg que recrutou Gibbs para a Companhia do Butim. Viu nele algum potencial que apenas um homem de fé poderia ver.

Tentamos desbravar uma cripta, mas ela estava selada. Acabamos voltando para nosso destino de incursão habitual e mais esqueletos apareceram por lá.

Partimos novamente, o destino final: Xyntillan. Mas o caminho, que outrora nos trouxera vergonha, agora nos ofereceria uma chance de redenção.

Partimos de Tours-En-Savoy sob um céu indeciso, uma companhia formada por Mosuc, o elfo silencioso; Tadhg, o clérigo devoto; o mago Azimandor; e eu, Wathgar.

Vinhas se enrolaram no pescoço de Watford, nosso guerreiro pragmático, e o ergueram do chão. Ele lutou, mas a força da planta era sobrenatural.

A jornada transcorria sem incidentes, até avistarmos no horizonte o pequeno assentamento que começava a florescer ao longo do caminho…

Em um amanhecer de nuvens dispersas e promessas de sol, a Companhia do Butim se recompôs para sua sétima incursão.

No dia 18 de Biex, a Companhia do Butim partiu para sua sexta incursão a Xyntillan.
Brag, o doente, instantes antes de apanhar do martelo flutuante.
Nós também temos. Principalmente se nossos personagens voltarão vivos da próxima incursão…
Powered by Agência Garbo