Diário de Xyntillan — Vigésima primeira sessão
Dia 23 de Blac
Dia 22 é o único dia do ano em que as pessoas não trabalham. É o feriado mais importante da região. Por isso, decidimos sair apenas no dia 23 de Blac. Fomos eu (Tadhg), Wathgar, Mosuc, Tryni, Ilifir, Roos e o cérebro. De dentro da nossa carroça, Maruk aparece com sua cobra verde, despertando depois de dias de um sono profundo. Isso deve ser coisa de druída dessa região, nunca vi isso na Ilha da Lua…
Wathgar levava 10 soldados de infantaria pesada, 20 soldados leves, 4 besteiros e 4 arqueiros. O brilhava um sol tímido, cortado por pancadas de chuva. Bellenus chorava. Algo de ruim iria acontecer.
Começou pela memória do cérebro, que começou a apontar sinais de alguma doença da mente. Ele não se lembrava de nada sobre Xyntillan que pudesse ser útil para a Companhia.
Invadimos o castelo, chegamos em uma sala e começamos a revirar o local. Em uma sala em formato de cruz, nos deparamos com um ser sentado em um trono de mármore branco. Seu aspecto denunciava o que estava por vir: pele pútrida, coriácea, com roupas puídas e esverdeadas, peito aberto como que um convite para olharmos a ausência do seu coração.
Quatro estátuas de macacos adornavam o centro da sala. Uma tapando a boca, outra as orelhas, outra o nariz e a última os olhos.
Ao redor, animais empalhados e outros parcialmente empalhados, como se algo ou alguém ainda trabalhasse naquelas aberrações, sem deixar que descansem depois da caça. Eram 4 cervos, um leão, um centauro, um javali e uma coruja gigante. Aquela sala era o espaço de um maldito taxidermista desmorto: Hubert Malevol, o caçador.
O caçador e as criaturas nos atacaram sem possibilidade de reação. Hubert disparou flechas e feriu Tryni mortalmente, enquanto seu leão amassava minha armadura e seus caninos encontravam carne e ossos. Expulsar o mal era inútil contra o Malevol. E assim caí, pela primeira vez, pelas presas de um leão mutante.
Maruk até tenta curar Tadhg, mas ele é daqueles Druídas que não carrega nenuma fruta, apenas uma cobra verde e inútil. No chão, quase desfalecido, ainda vejo uma Coruja Gigante investir contra mim, enquanto sinto meu ombro queimar com algum tipo de fogo arremessado por Maruk, que em seguida cai com uma mordida de um Javali atroz.
Wathgar lutava e repetia “vem tranquilo, vem tranquilo” para seus oponentes, enquanto distribuía espadadas e ordens para os soldados.
Eis que Brag, o pequeno gigante, surge para salvar o dia! Ele acaba com a coruja, Wathgar e seus soldados acabam com Hubert e Mosuc arranca pedaços com seu machado dos que sobraram. Então sou curado e levanto, apenas para sentir que a maldição daquele dia com gosto ferroso ainda não havia terminado.
Entramos em uma sala com uma espécie de fogo hipnótico que iluminava um domo de vidro, dentro do qual há um item de prata com um homem de barba em cima de uma almofada de seda vermelha. Uma espécie de ídolo ou item mágico, presumimos. Ou um relicário de prata valioso, mais de 10 mil moedas de ouro, uma voz dinvina teria soprado dos céus.
Mas Tryni segue o fogo e cai queimada. Aplico uma atadura nela, mas ela segue desacordada e ferida. Alcanço um frasco de água benta e sugiro que alguém apague o fogo maldito, o que é feito sem problemas.
No entanto, em Xyntillan, apagamos um incêndio e acendemos outro: eu decido carregar Tryni até a saída do castelo, acompanhado de Roos, Ilifir e o cérebro. Mas meus companheiros resolvem seguir explorando e topam com um grupo de 17 soldados que vinham na direção contrária deles.
O resultado disso é que eles tentam recuar enquanto se protegiam dos ataques inimigos, sem muito sucesso, e, na saída, por conta do atraso e do barulho das tropas, que não aprendem que o tempo nunca retorna, sou surpreendido por uma figura de terror indescritível. Uma espécie de Lich que magicamente captura Tryni, Roos e o Cérebro, fazendo com que saíssemos de Xyntillan por muito pouco. E sinto que quanto retornar, talvez seja a minha última incursão, pois este mal eu nunca havia presenciado.






















